Crônica romântica em seis partes — Entre a delicadeza dos encontros, a coragem da entrega e a paixão que floresce mesmo sob o rigor do inverno.
(Betto Gasparetto)

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I — QUANDO O INVERNO NOS APRESENTOU À PRIMAVERA
Há encontros que parecem nascer de uma distração do destino. Acontecem quando menos os esperamos, em lugares onde jamais procuraríamos a felicidade, e deixam em nossa existência uma marca tão profunda que todos os acontecimentos anteriores passam a parecer uma longa preparação para aquele instante. Talvez o amor seja justamente isso: a inesperada descoberta de que alguém, até então desconhecido, pode tornar-se a mais familiar de todas as presenças.
Foi numa tarde de inverno, entre as montanhas dos Alpes italianos, que te encontrei. A neve caía com a delicadeza de quem receia perturbar o silêncio, cobrindo os telhados dos chalés, as escadarias de pedra e os pinheiros que se erguiam pelas encostas. Ao longe, as montanhas pareciam sustentar o firmamento, enquanto o céu, tingido de rosa e violeta, anunciava a chegada da noite.
Eu caminhava pela varanda de uma antiga hospedaria, procurando na paisagem alguma resposta para inquietações que não sabia nomear. Havia viajado para afastar-me do ruído das cidades e da sucessão de compromissos que, embora necessários, pouco acrescentavam à minha felicidade. Não esperava encontrar companhia. Menos ainda alguém que viesse modificar, com tamanha naturalidade, o curso de meus pensamentos.
Estavas junto à balaustrada, contemplando o vale. Vestias um elegante casaco de lã clara, luvas de couro e um pequeno chapéu que emoldurava teu rosto. Algumas mechas de teus cabelos escapavam ao cuidado do penteado, movimentadas pelo vento frio. Teus olhos acompanhavam os flocos de neve, e havia em teu sorriso uma serenidade que parecia desconhecer as asperezas do mundo.
Aproximei-me para admirar a paisagem. Tu percebeste minha presença e comentaste que as montanhas, quando cobertas de neve, pareciam guardar segredos que o verão não conseguia esconder.
Respondi que talvez o inverno não ocultasse os segredos, mas nos ensinasse a contemplá-los.
Sorriste.
E naquele sorriso aconteceu algo que nenhuma explicação posterior conseguiu diminuir: senti que o frio, até então tão rigoroso, perdera subitamente sua autoridade sobre mim.
Conversamos sem pressa. Falamos das montanhas, das viagens que desejávamos realizar, dos livros que nos haviam acompanhado desde a juventude e da estranha facilidade com que algumas pessoas conseguem transformar uma conversa casual numa lembrança inesquecível.
Quando a noite se aproximou, ofereci-me para acompanhar-te até o salão da hospedaria. Aceitaste meu braço com uma gentileza que me pareceu pertencer a outro século.
Descemos juntos a escadaria iluminada por pequenos lampiões. E, embora nada houvesse sido prometido, compreendi que aquela tarde já não pertencia apenas à memória de uma viagem.
Pertencia ao início de uma história.

II — A DELICADEZA DE UM QUERER QUE NÃO EXIGE
Nos dias seguintes, descobri que tua beleza não se limitava à harmonia de teu rosto ou à graça de teus movimentos. Havia em ti uma forma rara de atenção, dessas que não procuram impressionar, mas compreender. Escutavas as pessoas com interesse verdadeiro, tratavas os desconhecidos com delicadeza e encontravas motivos para sorrir mesmo quando as circunstâncias pouco favoreciam a alegria.
Passeávamos pelas ruas estreitas da pequena vila, visitávamos livrarias, contemplávamos vitrines antigas e nos demorávamos diante das paisagens que se abriam entre os telhados cobertos de neve. Algumas tardes terminavam junto à lareira, com duas xícaras de chocolate quente e uma conversa que nenhum de nós desejava encerrar.
Certa vez, perguntaste-me o que eu considerava indispensável para que um amor permanecesse.
Pensei em responder com as palavras que tantas vezes encontrara nos livros: fidelidade, confiança, paixão, esperança. Todas me pareceram verdadeiras, mas incompletas.
Disse-te, então, que talvez amar fosse aprender a oferecer sem transformar cada gesto numa dívida.
Tu me observaste com curiosidade.
Expliquei que há pessoas capazes de grandes demonstrações de afeto, mas incapazes de respeitar a liberdade de quem amam. Oferecem presentes, fazem promessas, proclamam sentimentos extraordinários e, depois, exigem que tudo lhes seja devolvido na mesma medida. Confundem a generosidade com uma espécie de contrato, como se o coração humano pudesse ser governado pelas regras do comércio.
Tu permaneceste em silêncio por alguns instantes.
Depois disseste que a verdadeira entrega não deveria diminuir quem oferece nem aprisionar quem recebe.
Aquelas palavras acompanharam-me durante toda a noite.
Compreendi que doar-se não significava renunciar à própria dignidade, abandonar os sonhos pessoais ou aceitar qualquer sofrimento em nome do amor. Significava compartilhar o melhor de si sem exigir que o outro deixasse de ser quem era.
Era oferecer companhia sem sufocar, cuidado sem domínio, ternura sem cobrança e presença sem transformar a liberdade alheia numa ameaça.
Na manhã seguinte, encontrei-te novamente na varanda. A neve havia cessado, e uma claridade suave iluminava as montanhas. Aproximei-me, tomei tua mão e confessei que desejava conhecer não apenas teus dias felizes, mas também aqueles em que a vida te parecesse difícil.
Não prometi resolver todas as tuas inquietações.
Prometi escutá-las.
E quando repousaste delicadamente a cabeça sobre meu ombro, percebi que algumas declarações de amor não necessitam da eloquência dos poetas.
Precisam apenas da sinceridade de quem está disposto a permanecer.

III — ENTRE O DESEJO E A CORAGEM DE ENTREGAR-SE
A paixão chegou sem anunciar sua presença. Não surgiu como uma tempestade destinada a destruir nossa serenidade, mas como uma chama que, alimentada por pequenos gestos, adquiriu intensidade suficiente para iluminar os lugares mais reservados de nossas almas.
Recordo uma noite em que regressávamos de um jantar numa pequena hospedaria das montanhas. A neve principiara a cair novamente, e as ruas estavam quase desertas. Os lampiões lançavam círculos dourados sobre o caminho, enquanto nossas pegadas desenhavam uma breve história na superfície branca.
Caminhávamos próximos, protegidos pelo mesmo guarda-chuva, embora a neve fosse tão delicada que dificilmente nos causaria algum incômodo. Talvez desejássemos apenas encontrar uma justificativa para permanecer abraçados.
Ao chegarmos à varanda, detiveste-te para contemplar o céu. Algumas estrelas surgiam entre as nuvens, e o vale repousava sob uma quietude extraordinária.
Perguntaste-me se eu acreditava que duas pessoas poderiam continuar apaixonadas depois de muitos anos.
Respondi que não sabia quanto tempo durava o encantamento dos primeiros encontros, mas acreditava que a paixão poderia encontrar novas formas de existir quando acompanhada pela admiração, pela confiança e pelo desejo sincero de fazer bem à pessoa amada.
Voltaste o rosto para mim.
Teus olhos tinham aquela luminosidade particular que o inverno parecia tornar ainda mais delicada. Uma pequena mecha de cabelo repousava sobre tua face. Afastei-a suavemente, e meus dedos permaneceram por um instante junto à tua pele.
Não houve pressa.
Aproximei-me apenas o suficiente para perceber que também desejavas aquele encontro.
Então nossos lábios se tocaram.
O beijo foi sereno no princípio, quase tímido, como se procurássemos compreender a profundidade do sentimento que nos aproximava. Depois adquiriu a intensidade própria de duas pessoas que já não precisavam esconder a felicidade de estarem juntas.
Envolveste-me com os braços, e eu te abracei com uma ternura que não diminuía o ardor daquele instante. A neve continuava a cair, os lampiões permaneciam acesos, e o mundo prosseguia em sua marcha habitual.
Entretanto, para nós, tudo parecia suspenso.
Quando nossos rostos se afastaram, sorriste e perguntaste se eu ainda sentia frio.
Respondi que o inverno continuava nas montanhas, mas já não encontrava lugar em meu coração.
Riste daquela declaração, talvez excessivamente poética, e me beijaste outra vez.
Foi então que descobri que a paixão mais profunda não nasce da necessidade de possuir alguém. Nasce da felicidade de ser escolhido livremente, sem imposições, sem artifícios e sem receio de demonstrar aquilo que sentimos.
Naquela noite, ao despedirmo-nos, compreendi que desejava mais do que repetir nossos encontros.
Desejava participar de tua vida.
Não como quem reclama um direito, mas como quem recebe um privilégio.

IV — AS SOMBRAS QUE TAMBÉM HABITAM O AMOR
Seria agradável afirmar que, depois daquela noite, todos os nossos dias transcorreram sem inquietações. Contudo, semelhante relato pertenceria mais ao território das fantasias do que à verdadeira experiência humana.
O amor, mesmo quando sincero, não nos torna imunes às imperfeições. Continuamos sujeitos ao orgulho, ao cansaço, às palavras precipitadas e às expectativas que nem sempre sabemos comunicar.
Vieram os meses, as viagens, os compromissos e as dificuldades próprias de duas existências que procuravam construir um caminho comum. Descobrimos que não bastava desejar a companhia um do outro. Era necessário aprender a conviver com nossas diferenças, respeitar os silêncios e reconhecer que nem toda discordância representava uma ameaça ao sentimento.
Houve uma tarde em que discutimos por uma razão tão pequena que hoje mal consigo recordá-la. Lembro-me apenas de que nossas palavras, inicialmente prudentes, adquiriram uma aspereza que nenhum de nós desejara.
Tu te afastaste para a varanda.
Eu permaneci no salão, convencido de que minhas razões eram suficientes para justificar o silêncio.
Durante alguns minutos, contemplei o fogo da lareira, esperando que fosses a primeira a regressar. Parecia-me que ceder significaria reconhecer uma derrota.
Então recordei nossas conversas sobre a generosidade.
Que valor possuíam minhas declarações de amor se, diante de uma dificuldade, eu preferia preservar o orgulho a procurar tua compreensão?
Aproximei-me da porta envidraçada.
Estavas junto à balaustrada, observando a neve que começava a acumular-se sobre as pedras. Teus ombros permaneciam imóveis, mas havia em tua expressão uma tristeza que me causou mais sofrimento do que qualquer palavra pronunciada durante nossa discussão.
Cheguei perto de ti.
Não procurei justificar-me imediatamente. Pedi desculpas pela dureza de minha voz e reconheci que, embora ainda pudéssemos discordar, nenhuma divergência merecia destruir a delicadeza com que sempre nos tratáramos.
Tu me olhaste demoradamente.
Depois confessaste que também havias permitido que a irritação ultrapassasse os limites do respeito.
Abraçamo-nos.
Não porque todos os problemas estivessem resolvidos, mas porque havíamos decidido enfrentá-los sem transformar um ao outro em adversário.
Naquela tarde, compreendi que doar-se também significa reconhecer os próprios erros, oferecer uma palavra conciliadora e aceitar que a razão, quando desprovida de ternura, pode converter-se numa vitória profundamente solitária.
O amor não exige que abandonemos nossas convicções.
Exige que jamais esqueçamos a humanidade de quem está diante de nós.

V — O VERBO QUE SE CONJUGA EM TODOS OS TEMPOS
As estações sucederam-se, e a pequena vila alpina tornou-se um lugar ao qual regressávamos sempre que desejávamos reencontrar a serenidade de nossos primeiros dias.
No verão, as montanhas abandonavam parte de sua brancura e revelavam encostas floridas. No outono, as árvores adquiriam tonalidades de cobre e ouro, enquanto o vento espalhava folhas pelos caminhos de pedra. No inverno, a neve recuperava sua soberania, cobrindo novamente os telhados e os jardins.
Cada estação parecia oferecer uma nova interpretação de nossa história.
Descobrimos que amar não consistia apenas em celebrar aniversários, oferecer flores ou preparar viagens memoráveis. Havia uma grandeza silenciosa nos gestos cotidianos: preparar uma xícara de chá quando o outro estava cansado, escutar uma preocupação sem interromper, respeitar um momento de recolhimento ou encontrar tempo para um abraço depois de um dia difícil.
A felicidade deixara de depender exclusivamente dos acontecimentos extraordinários.
Passara a habitar os pequenos cuidados.
Certa manhã, enquanto contemplávamos as montanhas pela janela, perguntaste-me se eu ainda acreditava naquela definição de amor que te oferecera durante nossos primeiros encontros.
Sorri.
Respondi que agora compreendia melhor sua profundidade.
Doar-se, disse-te, não é um gesto que se realiza uma única vez, como quem entrega um presente e considera encerrada sua obrigação. É um verbo que precisa ser conjugado continuamente, nas diferentes circunstâncias da existência.
Doamo-nos quando partilhamos uma alegria sem inveja, quando acolhemos uma tristeza sem impaciência e quando oferecemos nosso tempo sem fazer da generosidade um espetáculo.
Doamo-nos também quando permitimos que a pessoa amada cresça, descubra novos interesses e conserve sua individualidade. Pois nenhum amor merece ser chamado de nobre se exige, como prova de fidelidade, o empobrecimento da vida de quem o recebe.
Tu me escutavas em silêncio.
Depois aproximaste tua mão da minha e disseste que, se o amor fosse realmente um verbo, desejavas conjugá-lo comigo em todos os tempos que a vida nos concedesse.
Não soube responder imediatamente.
Havia naquela frase uma beleza que nenhuma ornamentação literária poderia aperfeiçoar.
Abracei-te.
E compreendi que o amor não precisava ser infinito em duração para possuir uma grandeza extraordinária. Bastava que fosse verdadeiro enquanto vivido, generoso em suas escolhas e suficientemente corajoso para renovar-se diante das mudanças inevitáveis.
A paixão que outrora nos aproximara continuava presente.
Mas agora possuía raízes.

VI — ONDE DOIS CORAÇÕES APRENDEM A PERMANECER
Regressamos àquela varanda numa tarde em que o inverno parecia haver reservado sua mais bela paisagem para nossa contemplação.
As montanhas erguiam-se majestosas sob um céu rosado, e a neve caía suavemente sobre os telhados da vila. Os lampiões começavam a acender-se ao longo das escadarias, espalhando reflexos dourados sobre as pedras. Ao longe, as janelas dos chalés iluminavam-se uma após outra, como pequenas promessas de abrigo contra o frio.
Estavas junto à balaustrada, exatamente como no dia em que nos conhecemos.
Vestias um casaco claro, e teus cabelos escapavam delicadamente sob o chapéu. Havia em teu rosto a mesma serenidade que me encantara naquela primeira tarde, embora agora eu reconhecesse também as experiências, as alegrias e as dificuldades que havíamos compartilhado.
Aproximei-me sem anunciar minha presença.
Tu percebeste meus passos e sorriste antes mesmo de te voltares.
Envolvi-te com os braços, e permanecemos contemplando o vale. O silêncio entre nós já não possuía a timidez dos primeiros encontros. Era um silêncio habitado por lembranças, confidências e pela tranquilidade de duas pessoas que haviam aprendido a reconhecer-se mesmo quando nada tinham a dizer.
Perguntaste-me se eu ainda me recordava de nossa primeira conversa.
Respondi que jamais esquecera tua observação sobre os segredos que as montanhas guardavam durante o inverno.
Riste.
Depois perguntaste se eu finalmente descobrira algum deles.
Contemplei a paisagem por alguns instantes.
Disse-te que sim.
Descobrira que a neve, embora parecesse transformar inteiramente as montanhas, não modificava sua essência. Sob o manto branco permaneciam as mesmas rochas, os mesmos caminhos e as raízes das árvores que voltariam a florescer quando chegasse a primavera.
Assim também acontecia com o amor.
As circunstâncias podiam alterar sua aparência. Haveria dias de entusiasmo e outros de recolhimento, momentos de paixão arrebatadora e períodos em que a ternura precisaria manifestar-se por meio da paciência. Mas, se conservássemos o respeito, a confiança e a disposição de cuidar um do outro, o sentimento encontraria maneiras de atravessar suas próprias estações.
Voltaste o rosto para mim.
Teus olhos refletiam a última claridade do entardecer.
Perguntaste, então, o que eu desejava oferecer-te depois de tudo quanto havíamos vivido.
Pensei nas flores que já te entregara, nas cartas que escrevera, nos lugares que conhecêramos e nas promessas que procuráramos cumprir. Nenhuma dessas lembranças me pareceu suficiente para responder.
Tomei tuas mãos entre as minhas.
Disse-te que desejava oferecer algo menos vistoso, porém mais difícil de preservar: minha disposição de continuar aprendendo a amar-te.
Não prometi compreender imediatamente todos os teus silêncios, mas comprometi-me a escutá-los com respeito. Não assegurei que jamais cometeria erros, mas reconheci a responsabilidade de repará-los. Tampouco te ofereci uma existência livre de dificuldades, pois semelhante promessa seria uma injustiça contra a própria verdade.
Ofereci-te minha companhia, minha lealdade, minha ternura e a liberdade de continuares sendo a mulher por quem me apaixonara.
Tu apertaste suavemente minhas mãos.
Depois aproximaste-te e me beijaste com aquela delicadeza que, desde nosso primeiro encontro, nunca deixara de surpreender-me.
O beijo prolongou-se enquanto a neve caía ao nosso redor. Não havia nele o deslumbramento incerto de duas pessoas que acabavam de se conhecer, mas a intensidade serena de quem compreende o valor daquilo que construiu.
Quando nossos lábios se afastaram, permaneceste abraçada a mim.
A noite descia sobre os Alpes, e as primeiras estrelas surgiam acima das montanhas.
Naquele instante, compreendi que nenhum palácio, nenhuma viagem e nenhuma conquista poderia oferecer-me uma felicidade superior àquela presença livremente compartilhada.
O mundo continuaria a exigir de nós coragem, trabalho, renúncias e escolhas. Haveria mudanças que não poderíamos impedir e acontecimentos que escapariam à nossa vontade. Entretanto, enquanto nos fosse possível caminhar juntos, desejaríamos fazê-lo com a dignidade de quem reconhece no amor não um direito adquirido, mas uma responsabilidade escolhida.
Acariciei teu rosto e confessei que, se algum dia me perguntassem qual fora a maior descoberta de minha existência, não mencionaria as cidades visitadas, os conhecimentos adquiridos ou as realizações que o tempo pudesse registrar.
Diria que descobrira, ao teu lado, a diferença entre desejar alguém e verdadeiramente amar.
Desejar é aproximar-se daquilo que nos encanta. Amar é permanecer atento àquilo que faz bem ao outro.
A paixão pode nascer de um olhar, de um sorriso ou de um beijo inesperado. A entrega, porém, revela-se na constância dos gestos, na generosidade das escolhas e na coragem de continuar oferecendo ternura quando o encantamento inicial já se transformou em conhecimento profundo.
Tu repousaste a cabeça sobre meu peito.
E eu, contemplando a neve que lentamente cobria a varanda, compreendi que a mais bela declaração de amor talvez não fosse aquela que prometesse a eternidade, mas a que encontrasse sentido em cada novo amanhecer.
Porque amar não é apenas pronunciar palavras que emocionam. É conferir-lhes existência por meio das atitudes.
Doar-se é verbo permanente de um querer porque não se esgota na primeira promessa, não se encerra no primeiro beijo e não depende da perfeição dos dias. Renova-se sempre que dois corações, livres para escolher seus caminhos, encontram na felicidade compartilhada uma razão para continuar juntos.
E naquela noite, enquanto as montanhas desapareciam sob o manto azul do firmamento, abracei-te uma vez mais.
Não para impedir que o tempo passasse.
Mas para agradecer-lhe a extraordinária oportunidade de atravessá-lo contigo.
(Betto Gasparetto – 2019)







